Isenção de IR na previdência privada por doença grave: PGBL e VGBL estão incluídos?
Sim. Quem tem uma das doenças graves da Lei 7.713/1988 tem direito à isenção do Imposto de Renda sobre a renda mensal e os resgates de previdência privada, seja o plano PGBL ou VGBL, aberto ou de fundo de pensão. O STJ reconhece esse direito (REsp 1.583.638/SC e REsp 2.141.281/PE), apesar da resistência de muitas seguradoras. É possível parar a retenção e recuperar o imposto pago nos últimos cinco anos, desde o diagnóstico, corrigido pela Selic.
Para muitos aposentados, a previdência privada é a parte mais relevante da renda depois de parar de trabalhar. E é justamente nela que o desconto de Imposto de Renda costuma continuar, mesmo depois que o INSS ou o órgão público já reconheceu a isenção por doença grave. Seguradoras e fundos de pensão seguem retendo o imposto, especialmente nos resgates e nos planos VGBL.
Este guia explica por que a isenção alcança a previdência privada, o que muda entre PGBL e VGBL, como pedir à entidade, o que fazer quando ela se recusa e quanto é possível recuperar.
Por que a previdência privada também é isenta
O art. 6º, XIV, da Lei 7.713/1988 isenta do Imposto de Renda os proventos de aposentadoria de quem tem doença grave. O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 9.580/2018, art. 35) estende expressamente a isenção à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão, que é exatamente o que os planos de previdência privada pagam.
O STJ foi além e reconheceu que a isenção vale também para os resgates, e não só para a renda mensal, porque os valores acumulados no plano têm natureza de complementação de aposentadoria. No REsp 1.583.638/SC, o tribunal afirmou que é irrelevante se o plano é PGBL ou VGBL, entendimento reafirmado em julgados posteriores, como o REsp 2.141.281/PE.
PGBL e VGBL: o que muda para a isenção
| Ponto | PGBL | VGBL |
|---|---|---|
| Sobre o que incide o imposto, em regra | Sobre todo o valor resgatado ou recebido | Apenas sobre os rendimentos |
| Isento para quem tem doença grave? | Sim | Sim |
| Resgates isentos? | Sim | Sim |
| Renda mensal isenta? | Sim | Sim |
| Onde a resistência é maior | Menor | Maior, porque as seguradoras tratam o VGBL como seguro |
A isenção também não depende do regime de tributação escolhido no plano. Tanto na tabela progressiva quanto na tabela regressiva, de alíquotas decrescentes com o tempo de aplicação, o portador de doença grave não deve sofrer retenção.
Planos abertos e fundos de pensão
A isenção vale para os dois tipos de previdência complementar:
- planos abertos, vendidos por bancos e seguradoras, como os PGBL e VGBL contratados individualmente;
- fundos de pensão, ligados a empresas ou categorias, como Petros, Previ, Funcef e os planos de servidores públicos.
Quem tem mais de um plano precisa pedir a isenção a cada entidade separadamente, porque cada uma é responsável pela própria retenção.
Por que as seguradoras continuam retendo
A resistência tem duas origens. A primeira é a interpretação de que o VGBL seria um seguro de pessoas, e não um plano de previdência, o que afastaria a isenção. A segunda é a cautela das entidades, que temem ser responsabilizadas pela Receita Federal se deixarem de reter sem uma ordem clara.
Na prática, muitas entidades só suspendem o desconto com laudo de serviço médico oficial, conforme o art. 30 da Lei 9.250/1995, ou com decisão judicial. Quando a recusa persiste, a via judicial costuma ser o caminho para garantir a isenção e a devolução.
Como pedir a isenção à entidade
- Peça à seguradora ou ao fundo de pensão o formulário de isenção de Imposto de Renda por doença grave.
- Anexe o laudo médico, de preferência emitido por serviço médico oficial, com o diagnóstico, o CID e a data do diagnóstico.
- Se já tiver a isenção reconhecida pelo INSS ou pelo órgão público, anexe a decisão.
- Guarde o protocolo e confira, nos pagamentos seguintes, se a retenção foi suspensa.
Quando a entidade se recusa
Se o pedido for negado, ignorado ou atendido só para o futuro, a ação judicial garante a isenção e a devolução do período completo. Como o Imposto de Renda é um tributo federal, a ação é proposta contra a União, e a entidade é comunicada da decisão para deixar de reter. O STF decidiu, no Tema 1373, que a ação não depende de pedido administrativo prévio.
Na Justiça, a Súmula 598 do STJ dispensa o laudo oficial quando a doença está comprovada por outros documentos. E a Súmula 627 do STJ afasta a exigência de sintomas atuais, o que protege quem já concluiu o tratamento.
O mandado de segurança pode ser usado para interromper a retenção quando toda a prova é documental e está pronta. Ele não serve, porém, para cobrar o imposto pago no passado, o que exige ação própria de restituição.
A data do diagnóstico define quanto você recupera
Muitas entidades, quando aceitam o pedido, aplicam a isenção apenas a partir da data do laudo. O STJ reafirmou, no AgInt no PUIL 3.606/RS, julgado em 15/10/2024, que a isenção começa na data do diagnóstico. Para quem fez resgates grandes depois de ficar doente, essa diferença pode representar a maior parte do valor a recuperar.
Quanto é possível recuperar
É possível pedir a devolução do imposto retido nos cinco anos anteriores ao pedido, ou desde o diagnóstico, se ele for mais recente, com correção pela Selic (art. 39, § 4º, da Lei 9.250/1995). Isso inclui a renda mensal e os resgates feitos no período. Para estimar o valor sobre o benefício mensal, use a calculadora de restituição do Imposto de Renda por doença grave. Os resgates exigem cálculo próprio, com base nos informes da entidade.
Quem ainda trabalha
O Tema 1037 do STJ afastou a isenção sobre os rendimentos de quem continua em atividade. Para quem é aposentado e trabalha, a previdência privada recebida como complementação de aposentadoria continua isenta, e só o salário é tributado. Já o resgate feito por quem ainda não se aposentou é uma situação discutida e exige análise do caso.
Como declarar
Reconhecida a isenção, os valores recebidos da previdência privada passam a ser informados na ficha de rendimentos isentos e não tributáveis, na linha própria para aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave, conforme o informe de rendimentos da entidade. Se a entidade continuar informando os valores como tributáveis, a correção do informe deve ser pedida a ela antes da declaração.
Artigos relacionados
- guia completo da isenção do Imposto de Renda por doença grave;
- doenças que dão direito à isenção;
- pensionistas com doença grave;
- como solicitar a isenção.
Em resumo
A isenção do Imposto de Renda por doença grave alcança a previdência privada, na renda mensal e nos resgates, em planos PGBL e VGBL, abertos ou de fundos de pensão. O STJ considera irrelevante a modalidade do plano, mas muitas entidades resistem, sobretudo no VGBL, e só cumprem com laudo oficial ou decisão judicial. A ação é proposta contra a União, sem necessidade de pedido prévio, e a devolução alcança os últimos cinco anos, desde o diagnóstico, corrigidos pela Selic.
Perguntas frequentes
A isenção por doença grave vale para previdência privada?
Sim. O Regulamento do Imposto de Renda estende a isenção à complementação de aposentadoria, e o STJ a reconhece para a renda mensal e os resgates.
VGBL também é isento?
Sim. O STJ, no REsp 1.583.638/SC, considerou irrelevante se o plano é PGBL ou VGBL.
O resgate total do plano é isento?
Sim. A isenção alcança resgates totais e parciais, e não apenas a renda mensal.
Escolhi a tabela regressiva. Isso muda alguma coisa?
Não. A isenção vale qualquer que seja o regime de tributação escolhido no plano.
Fundos de pensão como Petros, Previ e Funcef também estão incluídos?
Sim. A isenção vale para planos abertos e para fundos de pensão. Cada entidade deve receber o pedido separadamente.
A seguradora recusou meu pedido. O que posso fazer?
Buscar a isenção e a devolução na Justiça, em ação contra a União. O STF decidiu no Tema 1373 que não é preciso pedido administrativo prévio.
Posso recuperar o imposto de resgates antigos?
Sim, dos resgates feitos nos cinco anos anteriores ao pedido, desde que posteriores ao diagnóstico, com correção pela Selic.
Preciso de laudo oficial?
Muitas entidades exigem na via administrativa. Na Justiça, a Súmula 598 do STJ admite o laudo particular e outros documentos.
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