Como pedir a isenção do Imposto de Renda por doença grave: passo a passo para cada fonte pagadora
O pedido de isenção do Imposto de Renda por doença grave é feito a quem paga o benefício: no Meu INSS, para aposentados e pensionistas do INSS; no órgão de gestão de pessoas ou instituto de previdência, para servidores; na unidade pagadora, para militares; e na seguradora ou fundo de pensão, para previdência privada. O principal documento é o laudo médico com o diagnóstico, o CID e a data do diagnóstico. Os anos anteriores podem ser recuperados com a retificação das declarações ou na Justiça, que não exige pedido administrativo prévio (Tema 1373 do STF).
Saber que tem direito à isenção é o primeiro passo. O segundo é descobrir onde e como pedir, e é aí que muitos aposentados e pensionistas se perdem: cada fonte pagadora tem um procedimento próprio, os documentos exigidos variam e o pedido administrativo, sozinho, nem sempre resolve os anos anteriores.
Este guia reúne o caminho completo: os requisitos, os documentos, o pedido em cada fonte pagadora, a recuperação do imposto já pago, o que fazer se o pedido for negado e como declarar depois.
Antes de pedir: confira os três requisitos
- A doença está na lista da lei. O art. 6º, XIV, da Lei 7.713/1988 traz uma lista fechada, que inclui câncer, cardiopatia grave, cegueira, Parkinson, Alzheimer e outras. Confira na página de doenças que dão direito à isenção.
- O rendimento é de inatividade. A isenção alcança aposentadoria, reforma, pensão e previdência privada. Salário de quem ainda trabalha continua tributado (Tema 1037 do STJ).
- Há documentação médica. O diagnóstico precisa estar comprovado por laudo e exames. Não é preciso estar com sintomas atuais (Súmula 627 do STJ).
Documentos que você vai precisar
- Pessoais: documento de identidade com foto, CPF e comprovante de residência.
- Médicos: laudo ou relatório médico, os exames que confirmaram o diagnóstico (como biópsia, ecocardiograma ou exame oftalmológico) e relatórios de tratamento.
- Do benefício: carta de concessão ou número do benefício, contracheques ou extratos recentes e o informe de rendimentos.
- Fiscais: as declarações de Imposto de Renda dos últimos cinco anos, se você declara.
O que pedir ao médico no laudo
A maioria das negativas nasce de um laudo incompleto. Ao pedir o laudo, peça que ele contenha:
- o diagnóstico, com o nome da doença como aparece na lei (por exemplo, “neoplasia maligna” ou “cardiopatia grave”);
- o código da CID;
- a data do diagnóstico, com referência ao exame que o confirmou;
- o tratamento realizado ou em curso;
- nas doenças que a lei exige que sejam graves, como cardiopatia, nefropatia e hepatopatia, a justificativa da gravidade com base nos exames;
- nome, assinatura, CRM e carimbo.
A data do diagnóstico é especialmente importante. O STJ reafirmou, no AgInt no PUIL 3.606/RS, julgado em 15/10/2024, que a isenção começa nessa data, e não na data do laudo oficial. É ela que define quanto imposto pode ser recuperado.
Passo a passo no INSS
- Acesse o aplicativo ou o site Meu INSS com a sua conta gov.br.
- Clique em Novo pedido e busque por isenção de Imposto de Renda.
- Preencha os dados, anexe o laudo e os exames e confirme o pedido.
- Agende e compareça à perícia médica, levando os documentos originais.
- Acompanhe o resultado em Consultar pedidos. Se preferir, o pedido também pode ser feito pelo telefone 135.
Reconhecida a isenção, o desconto deixa de aparecer nos pagamentos seguintes. Confira os próximos extratos para ter certeza.
Passo a passo para servidores públicos aposentados e pensionistas
Servidores federais fazem o pedido pelo aplicativo SouGov.br ou na unidade de gestão de pessoas do órgão de origem, e passam por perícia oficial. Servidores estaduais e municipais fazem o pedido no instituto de previdência ou no setor de recursos humanos do ente que paga o benefício, que encaminha o caso à junta médica oficial.
Em todos os casos, vale protocolar o pedido por escrito, guardar o número do protocolo e anexar o laudo com a data do diagnóstico.
Passo a passo para militares reformados e pensionistas militares
O pedido é feito na unidade pagadora ou no serviço de inativos e pensionistas da respectiva Força, ou da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, no caso dos militares estaduais. Em regra, o militar passa por inspeção de saúde em junta própria, que avalia o laudo apresentado.
Passo a passo na previdência privada
Quem recebe de seguradora ou fundo de pensão precisa pedir a isenção diretamente à entidade, mesmo que já tenha a isenção reconhecida pelo INSS ou pelo órgão público. Peça o formulário de isenção por doença grave, anexe o laudo e, se tiver, a decisão de outra fonte pagadora. Quem tem mais de um plano deve pedir em cada um. Os detalhes estão no artigo sobre previdência privada e doença grave.
Como recuperar o imposto dos anos anteriores
O pedido à fonte pagadora resolve os descontos daqui para frente. O imposto já pago pode ser recuperado de duas formas:
- Retificação das declarações: para cada ano dos últimos cinco, a declaração é refeita informando os proventos como isentos a partir da data do diagnóstico. Antes, vale pedir à fonte pagadora o informe de rendimentos corrigido, para evitar divergências que levem a declaração à malha fina.
- Ação judicial: recomendada quando a fonte pagadora reconheceu a isenção só a partir do laudo, quando os valores são altos, quando há previdência privada envolvida ou quando o pedido foi negado.
Nos dois casos, a devolução alcança os cinco anos anteriores ao pedido, ou o período desde o diagnóstico, se for mais recente, com correção pela Selic (art. 39, § 4º, da Lei 9.250/1995). Para estimar o valor, use a calculadora de restituição do Imposto de Renda por doença grave.
Se o pedido for negado
As negativas mais comuns são a falta de sintomas atuais, a divergência sobre a gravidade da doença e o laudo considerado insuficiente. Existem dois caminhos:
- Recurso administrativo no próprio órgão, com laudo complementar e exames mais completos.
- Ação judicial, que não depende de esgotar a via administrativa, nem mesmo de ter feito o pedido (Tema 1373 do STF). Na Justiça, a Súmula 598 do STJ admite o laudo do médico particular, e a Súmula 627 afasta a exigência de sintomas atuais.
A ação é proposta contra quem fica com o imposto: a União, na Justiça Federal, para aposentados do INSS, servidores federais e militares das Forças Armadas; o próprio Estado ou Município, na Justiça Estadual, para servidores estaduais e municipais (Tema 364 do STF e Súmula 447 do STJ). Quem tem doença grave tem prioridade na tramitação (art. 1.048, I, do Código de Processo Civil).
Como declarar depois da isenção
Com a isenção reconhecida, os proventos passam a ser informados na ficha de rendimentos isentos e não tributáveis, na linha própria para aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave. O informe de rendimentos da fonte pagadora deve vir com esses valores como isentos. Se vier errado, peça a correção antes de declarar. A isenção não dispensa a entrega da declaração quando houver outros motivos que a tornem obrigatória.
Erros comuns que atrasam ou reduzem o resultado
- laudo sem a data do diagnóstico ou com CID diferente da doença da lei;
- pedir a isenção em apenas uma fonte pagadora, esquecendo a previdência privada ou uma segunda aposentadoria;
- aceitar a isenção só a partir do laudo oficial, deixando de lado o período desde o diagnóstico;
- retificar as declarações sem o informe corrigido;
- desistir depois de uma negativa baseada na falta de sintomas, que a Súmula 627 do STJ afasta.
Em resumo
O pedido de isenção começa na fonte pagadora, com um laudo completo, que traga diagnóstico, CID e data do diagnóstico. Cada fonte pagadora tem seu procedimento, e quem recebe de mais de uma precisa pedir em todas. Os anos anteriores podem ser recuperados pela retificação das declarações ou pela via judicial, que não exige pedido prévio e permite discutir o período completo desde o diagnóstico, com correção pela Selic.
Perguntas frequentes
Onde peço a isenção do Imposto de Renda por doença grave?
A quem paga o benefício: Meu INSS, órgão de gestão de pessoas ou instituto de previdência, unidade pagadora militar ou entidade de previdência privada.
Preciso de laudo de médico perito oficial?
Na via administrativa, sim, conforme o art. 30 da Lei 9.250/1995. Na Justiça, a Súmula 598 do STJ admite o laudo do médico particular e outros documentos.
O que deve constar no laudo?
Diagnóstico, CID, data do diagnóstico, tratamento e identificação do médico. Nas doenças que precisam ser graves, a justificativa da gravidade.
O pedido no INSS devolve o imposto dos anos anteriores?
Em regra, não. Ele interrompe os descontos futuros. Os anos anteriores são recuperados pela retificação das declarações ou pela via judicial.
Tenho aposentadoria do INSS e previdência privada. Preciso pedir nas duas?
Sim. Cada fonte pagadora é responsável pela própria retenção e precisa receber o pedido.
Posso ir direto à Justiça, sem pedir antes ao INSS?
Sim. O STF decidiu no Tema 1373 que a ação não depende de pedido administrativo prévio.
Meu pedido foi negado porque a doença está controlada. E agora?
A Súmula 627 do STJ dispensa a demonstração de sintomas atuais. É possível recorrer ou buscar a isenção na Justiça.
Quanto tempo de imposto posso recuperar?
Os cinco anos anteriores ao pedido, ou desde o diagnóstico, se for mais recente, com correção pela Selic.
Se você quer ajuda para reunir os documentos, pedir a isenção ou recuperar o imposto dos últimos anos, a equipe do Igor Menezes Advogados pode analisar o seu caso e indicar o caminho mais adequado. Fale com a equipe pelo WhatsApp.
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